terça-feira, 6 de maio de 2008

Sob os Condicionados Ares Acadêmicos

Qual é a coisa que mais importa na minha vida ou na sua? Se os meus pais são casados ou não tem algo a ver com isso? Estas perguntas aparentemente tão díspares têm relação entre si? Parece-me que não temos espaço para discutir estas coisas no meio universitário, você não acha?

Suponho que há um pacto implícito ditando o que se pode ou, ao menos, como se pode discutir algo na universidade. Mas esta restrição contribui para o rigor do conhecimento ou estreita o seu alcance?

Temos como responder à pergunta: "O que é a coisa mais importante para a vida de um ser humano?" Pelo modo dito científico de hoje parece que não.

Faríamos talvez uma pesquisa com a pergunta: "O que é a coisa mais importante da sua vida?"

Depois veríamos as respostas mais freqüentes. Talvez notássemos que a resposta da maioria dos agricultores do Kazaquistão é diferente da mais votada pelos executivos finlandeses. Muitos já ficariam satisfeitos: "Claro que é diferente. É muito subjetivo! É impossível achar uma resposta para o que é importante para todos os homens."

Mas será que não valeria a pena discutir este tópico? Poderíamos usar a nossa experiência cotidiana e o que se disse sobre isto nestes milênios.

Não quero cair no outro extremo, que é a discussão sem fronteiras. Ela é semelhante ao vento. Você não sabe de onde veio nem para onde vai. A discussão aberta que leva a algum lugar é a que se baseia em casos reais.

Certa vez, ao discutir o uso de drogas e as suas causas com o primeiro ano da faculdade de medicina da USP, uma garota interveio: "Talvez as pessoas jovens que trabalhem sejam mais maduras e por isso usem menos drogas." Então um outro cortou: "Você tem dados de pesquisa que apontem para isso?"

A garota tenta usar um dado do seu dia-a-dia e é podada pelo "rigor científico". Como você pode mensurar a maturidade, meu caro? Isto é muito difícil, quiçá impossível. Então este tema deve ser proscrito da universidade?

Parece-me que as discussões universitárias estão estreitadas por alguns condicionamentos que não se explicam, tampouco se discutem. Começamos o jogo com algumas regras que não sabemos porque estão ali e não discutimos se são realmente boas. Continuarei falando depois sobre outra "tesoura" universitária, que tira o bom senso das discussões.

Um comentário:

Unknown disse...

Alguém precisava quebrar o tabu. Ou o "pacto de silêncio".

Parece que certas perguntas inocentes que fazemos no meio universitário são tidas como 'indecentes'.

E o que mais se escuta é "problema de fulano" ou "deixa ele pra lá, o que vc tem a ver com isso?", como se fosse proibido se perguntar...

Lamentável.

Parabéns pela iniciativa!