Como este blog não esquentou muito, estou empenhado num outro:
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Abç
Rafael
quinta-feira, 19 de junho de 2008
terça-feira, 13 de maio de 2008
Sob os Condicionados Ares Acadêmicos (II)

O meu primeiro texto versou sobre a questão do cientificismo. Visto que a idéia não foi exposta de forma exata, pretendo fazer alguns esclarecimentos.
O que é o cientificismo?
O cientificismo é uma doutrina que busca "resolver ou eliminar as discordâncias da epistemologia (teoria do conhecimento), tomando a ciência como última autoridade epistemológica"*, ou seja, a última palavra em relação ao conhecimento.
O cientificismo explanatório traz a visão de que "as ciências tem o monopólio na legítima explanação teórica".*
Podemos nos perguntar que mal há nisso? Por que não é a ciência o que há de guiar todo o conhecimento humano?
Também igualmente podemos nos questionar por que a ciência deve ser a reitora do conhecimento? Por que ela deve se elevar com o monopólio do conhecimento?
O erro está no fato de que este monopólio seja uma decorrência natural do conhecimento científico. Não há como se comprovar cientificamente que a ciência é o único conhecimento válido. Para se dizer o que é válido, é necessário se fazer perguntas filosóficas, como estas que o blog pretende tratar. Não basta fazer pesquisas e plotar gráficos. Os gráficos e as pesquisas são cegos para dizer se eles mesmos são úteis.
* Moser, P.K. The Oxford Handbook of Epistemology.
terça-feira, 6 de maio de 2008
Sob os Condicionados Ares Acadêmicos
Qual é a coisa que mais importa na minha vida ou na sua? Se os meus pais são casados ou não tem algo a ver com isso? Estas perguntas aparentemente tão díspares têm relação entre si? Parece-me que não temos espaço para discutir estas coisas no meio universitário, você não acha?
Suponho que há um pacto implícito ditando o que se pode ou, ao menos, como se pode discutir algo na universidade. Mas esta restrição contribui para o rigor do conhecimento ou estreita o seu alcance?
Temos como responder à pergunta: "O que é a coisa mais importante para a vida de um ser humano?" Pelo modo dito científico de hoje parece que não.
Faríamos talvez uma pesquisa com a pergunta: "O que é a coisa mais importante da sua vida?"
Depois veríamos as respostas mais freqüentes. Talvez notássemos que a resposta da maioria dos agricultores do Kazaquistão é diferente da mais votada pelos executivos finlandeses. Muitos já ficariam satisfeitos: "Claro que é diferente. É muito subjetivo! É impossível achar uma resposta para o que é importante para todos os homens."
Mas será que não valeria a pena discutir este tópico? Poderíamos usar a nossa experiência cotidiana e o que se disse sobre isto nestes milênios.
Não quero cair no outro extremo, que é a discussão sem fronteiras. Ela é semelhante ao vento. Você não sabe de onde veio nem para onde vai. A discussão aberta que leva a algum lugar é a que se baseia em casos reais.
Certa vez, ao discutir o uso de drogas e as suas causas com o primeiro ano da faculdade de medicina da USP, uma garota interveio: "Talvez as pessoas jovens que trabalhem sejam mais maduras e por isso usem menos drogas." Então um outro cortou: "Você tem dados de pesquisa que apontem para isso?"
A garota tenta usar um dado do seu dia-a-dia e é podada pelo "rigor científico". Como você pode mensurar a maturidade, meu caro? Isto é muito difícil, quiçá impossível. Então este tema deve ser proscrito da universidade?
Parece-me que as discussões universitárias estão estreitadas por alguns condicionamentos que não se explicam, tampouco se discutem. Começamos o jogo com algumas regras que não sabemos porque estão ali e não discutimos se são realmente boas. Continuarei falando depois sobre outra "tesoura" universitária, que tira o bom senso das discussões.
Suponho que há um pacto implícito ditando o que se pode ou, ao menos, como se pode discutir algo na universidade. Mas esta restrição contribui para o rigor do conhecimento ou estreita o seu alcance?
Temos como responder à pergunta: "O que é a coisa mais importante para a vida de um ser humano?" Pelo modo dito científico de hoje parece que não.
Faríamos talvez uma pesquisa com a pergunta: "O que é a coisa mais importante da sua vida?"
Depois veríamos as respostas mais freqüentes. Talvez notássemos que a resposta da maioria dos agricultores do Kazaquistão é diferente da mais votada pelos executivos finlandeses. Muitos já ficariam satisfeitos: "Claro que é diferente. É muito subjetivo! É impossível achar uma resposta para o que é importante para todos os homens."
Mas será que não valeria a pena discutir este tópico? Poderíamos usar a nossa experiência cotidiana e o que se disse sobre isto nestes milênios.
Não quero cair no outro extremo, que é a discussão sem fronteiras. Ela é semelhante ao vento. Você não sabe de onde veio nem para onde vai. A discussão aberta que leva a algum lugar é a que se baseia em casos reais.
Certa vez, ao discutir o uso de drogas e as suas causas com o primeiro ano da faculdade de medicina da USP, uma garota interveio: "Talvez as pessoas jovens que trabalhem sejam mais maduras e por isso usem menos drogas." Então um outro cortou: "Você tem dados de pesquisa que apontem para isso?"
A garota tenta usar um dado do seu dia-a-dia e é podada pelo "rigor científico". Como você pode mensurar a maturidade, meu caro? Isto é muito difícil, quiçá impossível. Então este tema deve ser proscrito da universidade?
Parece-me que as discussões universitárias estão estreitadas por alguns condicionamentos que não se explicam, tampouco se discutem. Começamos o jogo com algumas regras que não sabemos porque estão ali e não discutimos se são realmente boas. Continuarei falando depois sobre outra "tesoura" universitária, que tira o bom senso das discussões.
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